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O painel prometia e os conferencistas não desiludiram. Arte e ciência foram magistralmente abordadas.
Rui Vieira Nery, através duma viagem temporal, ilustrada com exemplos musicais, fez um mapeamento da interligação da música à história e à ciência, desde a antiguidade clássica, onde a música era vivência do saber e vivência cívica e as emoções resultado dum estímulo matemático, sistémico e lógico, passando pelo pensamento cristão – canto chão, que tinha como objectivo a pureza da construção – pelo renascimento, maneirísmo e romantismo, onde a música procurava seduzir o ouvinte.
Em resumo, Rui Vieira Nery, apresentou-nos a música e a composição musical em consonância com as circunstâncias temporais interligando-as com as vivências científicas.
Por sua vez, Heitor Alvelos, abordou a transversalidade das possibilidades da arte e o romper de fronteiras e conceitos que ela própria originou, conjugando esta circunstância com a agregação social.
Começando por estabelecer pontes com a intervenção do primeiro orador, Heitor Alvelos levou-nos do universo da simbologia, que é território dionisíaco até a relatividade da criação artística que, na sua opinião, almeja o sonho da conquista duma verdade artística.
Dos tempos remotos até à actualidade, estas foram as etapas referidas:
* Transcendência inicial como magia;
* Referência à exaltação política;
* Vale tudo e o que importa é expandir infinitamente o possível;
* Excesso como norma para o artista;
* Entretenimento contínuo e a tangibilidade da indústria da publicidade no consumo e mercado;
* Informação como entretenimento;
* Legitimidade da criação artística.
Todos estes pontos, quando ligados à ciência, particularmente à tecnologia, permitem considerar o fim utópico do conhecimento.
Após as intervenções fomos presentados com uma excelente conversa. Conforme inicialmente referi, os conferencistas não desiludiram. Arte e ciência foram efectiva e magistralmente abordadas.
Pena foi que a sala não estivesse cheia.
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Mais uma sala cheia para ouvir os nossos convidados falar sobre Ciência e Cidadania
Rui Marrana focalizou a sua intervenção nas dinâmicas intrinsecas à vida em sociedade, ou seja, no processo de agregação social e de organização política.
Muito naturalmente, o papel da família e a postura individual face à condição de cidadão foram evocados.
Assim, vocábulos como alteridade, convivência, individualidade, justiça, segurança, liberdade e responsabilidade foram utilizados para nos explicar as dicotomias, e seus alcances, que se verificam entre Direitos e Deveres.
Por sua vez, Fernando Nobre, optou por fazer alusões no mau uso da ciência, referindo o que foi feito pelos médicos alemães que serviram o nazismo durante a Segunda Guerra Mundial.
Não concordando com a justificação que apenas estavam a cumprir ordens, Fernando Nobre argumenta que não há nenhuma ordem que se possa sobrepor à consciência humana e acrescenta que ser cientista não conduz a ser bom cidadão.
No seu entender, Fernando Nobre afirma que nunca houve tanta ciência, mas também é verdade que o nosso planeta nunca esteve tanto à deriva. Basta recordar o flagelo da fome se mantém apesar dos cientistas e da ciência.
Por fim, o Presidente da AMI defendeu que é preciso recomeçar a olhar para os outros para construir uma nova sociedade.
Todas estas ideias foram aprofundadas pelos conferencistas graças a um debate vivo, caloroso e participativo por parte do público.
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A inclusão das temáticas do esoterismo no temas das conferências não desiludiu. Tivemos a segunda maior assistência do ciclo e a maior participação do público no debate.
Para além disso, foram estabelecidos vários diálogos entre as intervenções dos palestrantes. Naturalmente, entre a visão da astróloga e do tarólogo verificaram-se mais afinidades, no entanto, não há dúvida que a intervenção da Estela Guedes sobre a carbonária revelou a forte componente mistica que existe na maçonaria.
Assim, fomos transportados do céu à terra, e com as referências feitas a Carl Jung e António Damásio, ficamos com algumas ideias chaves:
1. – Que somos energia;
2. – Que a Ciência é uma forma de observar e de classificar a Realidade (conhecimento objectivo). Já o Esoterismo é uma forma de viver a Realidade (conhecimento entrelaçado), sendo a Realidade é tudo o que existe;
3. – Que a humanidade está numa fase de transição e que passará a utilizar mais o hemisfério direito do cérebro;
4.- Que o esoterismo é o conhecimento interior, a experiência subjectiva, a revelação, a iniciação, a iluminação, a primazia do sujeito.
Em suma, mais uma noite muito bem passada.
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Mais uma excelente conferência.
Tivemos a oportunidade de ouvir três (ou melhor, quatro) vozes sobre a imensidão e vastidão de laços que ligam os universos da ciência e da poesia e que nos revelam conhecimento e sentir numa convergência hamónica.
Vários nomes foram evocados para o efeito: Lévi-Strauss, van der Heyden, Luís Miguel Nava, Sophia de Mello Breyner Andresen, Charles S. Peirce, Alexandre O’Neill, Einstein, etc.
Naturalmente, as impressões pessoais não deixaram de ser expressas. E aqui fomos transportados para dimensões interiores que revelam diferentes reflexos do espelho que compõem a poesia e ciência:
as realidades próprias, a percepção individual do mundo, a complacência, a alteridade, as formas de linguagem, a imagética, os saltos quânticos, etc.
Mas não só!
Até a revolução cubana e Che Guevara assumem outra particularidade quando percepcionados num peito voluptuoso. E esta circunstância só poderá ser descrita pela poesia.
Por fim, o debate ultrapassou as expectativas. Mesmo as dos próprios conferencistas.
Uma noite muito bem passada!
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