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Adriano Moreira

 

João Marques de Almeida

Diálogos dia 20

A ligação entre ciência e religião voltou a ser explorada nos Diálogos com a Ciência.

Paulo Borges permitiu uma reflexão que se centrou na ilusão da cultura vs alimento da vontade.
Porquê a ilusão da cultura?
Em primeiro lugar, porque, segundo Paulo Borges, construímos a sociedade em ilusões com carácter mitológico. Logo o mundo é representação;
Em segundo lugar, porque o padrão mundial é o logos europeu. No entanto, no mundo coexistem várias civilizações pelo que a via a considerar é a “heterotopia”.
Não há realidade sem fundamento místico e no ambiente ontológico observam-se dinâmicas entre o individual, o singular e o universal.

Como filósofa, não é de estranhar que Celeste Natário tenha feito mais perguntas em vez de ter dado mais respostas.

Qual é o sentido a dar à existência?
O que é a procura da verdade?

E, através de referências a Plutino e Fernando Pessoa, afirmou que a individualidade é o que causa o silêncio do mundo e a que procura da verdade é a razão da consciência que se traduz na busca da felicidade, pese embora esta seja um objectivo estático.

Por fim, o dominicano José Augusto Mourão começou por referir que o confronto com a autoridade leva à obediência.
Para este orador, que lembrou que religião não é o mesmo que fé, a relação entre ciência e religião é uma sucessão de erros. Considera mesmo que a religião cedeu demasiado à ciência.

Segundo José Augusto Mourão, a vida coabita com o desejo e a religião deve-se vestir.

Conclusões a tirar?
- Apesar de todos os seres humanos procurarem a unidade, não há apenas uma verdade mas várias.
- Se diferentes culturas procuram a verdade, então a verdade é uma amálgama de verdades.

Oradores:
Paulo Borges

José Augusto Mourão

Celeste Natário

Diálogos dia 18

Com o Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Porto a arrebentar pelas costuras, os Diálogos com a Ciência discutiram a relação entre a ciência e a ética.

Para Alexandre Quintanilha, a ligação entre ciência e ética é uma constante, um fenómeno oscilante na cultura humana, sustentada por uma simplicidade que se baseia na curiosidade e na imaginação. Esta ligação inicia-se na mitologia e é uma história da procura da verdade.

Existe um ponto comum em todos os campos do conhecimento: alguém ousa contar uma história diferente.
Como tal, a individualidade e a automonia representam a temporalidade, pelo que não é que estranhar que em diferentes épocas, a curiosidade tenha sido limitada e/ou tolerada.

Limites? O respeito, as posturas e os processos. Que dependem da atitude individual.

Beatriz Porto, através duma abordagem pragmática, enfatizou a ética na investigação científica, particularmente na sua área, a genética.
No entanto, os principios orientadores que apresentou, constituem os princípios éticos fundamentais em todo e qualquer campo do conhecimento. São eles:

1º. Autonomia
- respeito pela pessoa humana; direito à livre escolha
2º. Beneficiência ( e não-malefeciência)
- avaliação risco/benefício favorável ao doente
3º. Justiça
- não discriminação de doentes

Também nos deu uma definição de biobanco – Colecção de material biológico (seja ele órgãos, sangue, células do cordão umbilical, etc.) material esse que é colhido sem qualquer custo ou risco, e que pode ser
utilizado em estudos de investigação com o propósito único de promover a saúde e o bem estar colectivo.

E salientou que os parametros para o avanço ou interferência são autonomia e direitos individuais versus responsabilidade e solidariedade colectiva.

Palmira F. Silva referiu que a discrepância entre o avanço da ciência e o acompanhamento social é uma questão a ser mais desenvolvida. Bem ou mal, a sociedade espera o progresso científico.
E defendeu que não deve haver limites ao pensamento científico mas sim às aplicações científicas.

Por fim, o Padre Vasco Pinto de Magalhães, lembrou que o termo ética é de origem grega e significa valores, hábitos e harmonia. E que é preciso não esquecer que ética não é moral.

Tratando-se de uma dimensão antropológica que congrega ciências não é de estranhar que se perceba uma dinâmica entre a automonia individual vs agregação societária onde se confrontam as liberdades individuais e o bem comum.

Pontos comuns na apresentações dos conferencistas: ética e moral são “coisas” distintas e, como algo que advém única e exclusivamente da dimensão humana, só as atitudes humanas a poderão limitar.

Oradores:

Alexandre Quintanilha


Palmira F. Silva

Vasco Pinto de Magalhães, s.j.

Beatriz Porto

Diálogos dia 16

O segundo painel dedicado à poesia e ciência levou-nos à seguinte conclusão:

A ciência é um saber cumulativo; A poesia é um saber único!

Segundo Gabriela Rocha Martins, a essência do poema é o olhar vagabundo. Só este é que é possibilidade infinita.
No entanto, apesar das regras da escrita poética serem divergentes da expressão científica, devemos perguntar o que é um poema? Será uma expressão linguística ou um organismo verbal?
A resposta é que o poema não tem classificação.
Por fim, ao apontar a seguinte dualidade – ciência (formas) ≠ poesia ; ciênca (abstrato) = poesia – refere que o diálogo entre ciência e poesia é uma dinâmica entre alteridade e temporalidade.

Alice Macedo Campos abordou a temática através de duas questões:
Quais são as regras para escrever poesia?
Serão as palavras apenas emoção?

Para esta poetisa, a tradução da memória é a chave.
É ela que faz a escrita do poeta quando este procura recriar aquilo que o afecta, o mundo que o rodeia. E é aqui que emerge a manipulação do leitor, pois existe mais na mensagem do poeta para além do que ele escreve.

Nuno Júdice afirmou que tanto a ciência como a poesia procuram explicações absolutas do mundo e do cosmos, alicerçando a sua intervenção na dimensão mitológica da perspectiva. O que é invisível ao profano só está acessível ao iniciado. E aí, a poesia revela sua grandeza.

Por fim, Vitor Oliveira Jorge defendeu que a poesia é essencialmente ablação, pese embora o critério para tal definição e/ou classificação ser subjectivo.

E deixa a seguinte pergunta: Será o conhecimento a junção entre a poesia e ciência?

Correndo o risco de ser repetitivo, mais uma noite bem passada.

Oradores:


Alice Macedo Campos


Gabriela Rocha Martins


Nuno Júdice


Vitor Oliveira Jorge

Diálogos dia 14

O painel prometia e os conferencistas não desiludiram. Arte e ciência foram magistralmente abordadas.

Rui Vieira Nery, através duma viagem temporal, ilustrada com exemplos musicais, fez um mapeamento da interligação da música à história e à ciência, desde a antiguidade clássica, onde a música era vivência do saber e vivência cívica e as emoções resultado dum estímulo matemático, sistémico e lógico, passando pelo pensamento cristão – canto chão, que tinha como objectivo a pureza da construção – pelo renascimento, maneirísmo e romantismo, onde a música procurava seduzir o ouvinte.

Em resumo, Rui Vieira Nery, apresentou-nos a música e a composição musical em consonância com as circunstâncias temporais interligando-as com as vivências científicas.

Por sua vez, Heitor Alvelos, abordou a transversalidade das possibilidades da arte e o romper de fronteiras e conceitos que ela própria originou, conjugando esta circunstância com a agregação social.

Começando por estabelecer pontes com a intervenção do primeiro orador, Heitor Alvelos levou-nos do universo da simbologia, que é território dionisíaco até a relatividade da criação artística que, na sua opinião, almeja o sonho da conquista duma verdade artística.

Dos tempos remotos até à actualidade, estas foram as etapas referidas:

* Transcendência inicial como magia;
* Referência à exaltação política;
* Vale tudo e o que importa é expandir infinitamente o possível;
* Excesso como norma para o artista;
* Entretenimento contínuo e a tangibilidade da indústria da publicidade no consumo e mercado;
* Informação como entretenimento;
* Legitimidade da criação artística.

Todos estes pontos, quando ligados à ciência, particularmente à tecnologia, permitem considerar o fim utópico do conhecimento.

Após as intervenções fomos presentados com uma excelente conversa. Conforme inicialmente referi, os conferencistas não desiludiram. Arte e ciência foram efectiva e magistralmente abordadas.

Pena foi que a sala não estivesse cheia.

Oradores:

Rui Vieira Nery

Heitor Alvelos

Paulo Ribeiro

Diálogos dia 12

Mais uma sala cheia para ouvir os nossos convidados falar sobre Ciência e Cidadania

Rui Marrana focalizou a sua intervenção nas dinâmicas intrinsecas à vida em sociedade, ou seja, no processo de agregação social e de organização política.
Muito naturalmente, o papel da família e a postura individual face à condição de cidadão foram evocados.
Assim, vocábulos como alteridade, convivência, individualidade, justiça, segurança, liberdade e responsabilidade foram utilizados para nos explicar as dicotomias, e seus alcances, que se verificam entre Direitos e Deveres.

Por sua vez, Fernando Nobre, optou por fazer alusões no mau uso da ciência, referindo o que foi feito pelos médicos alemães que serviram o nazismo durante a Segunda Guerra Mundial.
Não concordando com a justificação que apenas estavam a cumprir ordens, Fernando Nobre argumenta que não há nenhuma ordem que se possa sobrepor à consciência humana e acrescenta que ser cientista não conduz a ser bom cidadão.
No seu entender, Fernando Nobre afirma que nunca houve tanta ciência, mas também é verdade que o nosso planeta nunca esteve tanto à deriva. Basta recordar o flagelo da fome se mantém apesar dos cientistas e da ciência.
Por fim, o Presidente da AMI defendeu que é preciso recomeçar a olhar para os outros para construir uma nova sociedade.

Todas estas ideias foram aprofundadas pelos conferencistas graças a um debate vivo, caloroso e participativo por parte do público.

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